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Os melhores documentários de todos os tempos

Foi anunciado o mais recente ranking dos 25 melhores documentários de todos os tempos. A responsabilidade é da prestigiada IDA – International Documentary Association (Associação International de Documentários).
 
Um destaque positivo: os irmãos Albert e David Maysles emplacaram nada menos que três filmes, entre eles o histórico Gimme Shelter, com os Rolling Stones (ok, Michael Moore também tem três aparições, mas ele é um sensacionalista e oportunista picareta, para dizer o mínimo).
 
Um destaque negativo: a limitação dos vontantes da associação – exceto um Wim Wenders, um Alain Resnais e o Migração Alada, só dá produção norte-americana (até o filme do Werner Herzog é produção made in USA).
Segue a lista (sem dúvida, uma bela sugestão para uma dvdteca documental); ao final, trailer do campeão Basquete Blues.   

1. Basquete Blues (Hoop Dreams) – Steve James, 1994
2.
A Tênue Linha da Morte (The Thin Blue Line) – Errol Morris, 1988
3. Tiros em Columbine (Bowling for Columbine) – Michael Moore, 2002
4. Spellbound – Jeffery Blitz, 2002
5. Harlan County, Uma Tragédia Americana (Harlan County, USA) – Barbara Kopple, 1976
6. Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth) – Davis Guggenheim, 2006
7. Crumb – Terry Zwigoff, 1994
8. Gimme Shelter – Albert Maysles, David Maysles & Charlotte Zwerin, 1970
9. Sob a Névoa da Guerra (The Fog of War: Eleven Lessons from the Life of Robert S. McNamara) – Errol Morris, 2003
10. Roger e Eu (Roger and Me) – Michael Moore, 1989
11. Super Size Me – A Dieta do Palhaço (Super Size Me) – Morgan Spurlock, 2004
12. Don’t Look Back – D. A. Pennebaker, 1967
13. Salesman – Albert MayslesDavid Maysles & Charlotte Zwerin, 1968
14. Koyaanisqatsi: Vida em Desiquilíbrio (Koyaanisqatsi: Life Out of Balance) – Godfrey Reggio, 1982
15. Sherman’s March – Ross McElwee, 1986
16. Grey Gardens – Albert Maysles, David Maysles, Ellen Hovde & Muffie Meyer, 1975
17. Na Captura dos Friedmans (Capturing the Friedmans) – Andrew Jarecki, 2003
18. Born into Brothels: Calcutta’s Red Light Kids – Ross Kauffman & Zana Briski, 2004
19. Titticut Follies – Frederick Wiseman, 1967
20. Buena Vista Social Club – Wim Wenders, 1999
21. Fahrenheit 9/11 – Michael Moore, 2004
22. Migração Alada (Le Peuple Migrateur / Winged Migration) – Jacques Perrin, Jacques Cluzaud e Michel Debats, 2001
23. O Homem Urso (Grizzly Man) – Werner Herzog, 2005
24. Noite e Nevoeiro (Nuit et Brouillard / Night and Fog) – Alain Resnais, 1955
25. Woodstock: Onde Tudo Começou (Woodstock) – Michael Wadleigh, 1970

Para apreciar num domingão # 4: Glauber Rocha x Di Cavalcanti x Jorge Ben Jor x Vinícius de Morais x Lamartine Babo x Augusto dos Anjos x Paulinho da Viola x Pixinguinha

Vencedor de prêmio especial do júri no Festival de Cannes, o inovador curta-metragem realizado em 1977 por Glauber Rocha Di foi feito improvisadamente quando da morte de Di Cavalcanti – e posteriormente interditado judicialmente a pedido da família do pintor.  
O filme explode as estruturas do gênero documentário em um turbilhão de colagens, que incluem músicas, notícias de jornal, obras de arte, intervenções, performances e a onipresença genial de seu realizador.  
Seu título original é “Ninguém Assistiu ao Formidável Enterro de Sua Última Quimera; Somente a Ingratidão, Essa Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável”, tirado de versos de Augusto dos Anjos.
Quando de sua primeira exibição, em 11 de março de 1977 na Cinemateca do MAM (RJ), foi distribuído um texto de Glauber Rocha mimeografado intitulado Di (Das) Mortes:
“A morte é um tema festivo pros mexicanos, e qualquer protestante essencialista como eu não a considera tragedya . . Em Terra em Transe o poeta Paulo Martins recitava que convivemos com a morte…etc… dentro dela a carne se devora – e o cangaceiro Corisco, em Deus e o Diabo na Terra do Sol, morre profetizando a ressurreição do sertão no mar que vira sertão que vira mar…
Matei muitos personagens? Eles morreram por conta própria, engendrados e sacrificados por suas próprias contradições: cada massacre dialético que enceno e monto se autodefine na síntese fílmica, e do expurgo sobram as metáforas vitais.
As armas de fogo, facas e lanças são os objetos mortais usados por meus personagens, mas a rainha Soledad bebe simbolicamente veneno no final de
Cabeças Cortadas e os mercenários de O Leão de Sete Cabeças são enforcados. Em Câncer, Antônio Pitanga estrangula Hugo Carvana, assim como Carvana se suicida em Terra em Transe. Em Claro foi usado um canhão para matar um mercenário no Vietnam e dois personagens morrem afogados em Barravento, além das multidões incalculáveis massacradas por Sebastião, Corisco, Diaz, etc.
Filmar meu amigo Di morto é um ato de humor modernista-surrealista que se permite entre artistas renascentes: Fênix/Di nunca morreu. No caso o filme é uma celebração que liberta o morto de sua hipócrita-trágica condição. A Festa, o Quarup – a ressurreição que transcende a burocracia do cemitério. Por que enterrar as pessoas com lágrimas e flores comerciais? Meu filme, cujo título, dado por Alex Viany, é Di-Glauber, expõe duas fases do ritual: o velório no Museu de Arte Moderna e o sepultamento no Cemitério São João Batista. É assim que sepultamos nossos mortos.
Chocado pela tristeza de um ato que deveria ser festivo em todos os casos (e sobretudo no caso de um gênio popular como Emiliano di Cavalcanti) projetei o Ritual Alternativo; Meu Funeral Poético, como Di gostaria que fosse, lui. . . o símbolo da Vida…
No campo metafórico transpsicanalítico materializo a vitória de São Jorge sobre o Dragão. E, no caso de uma produção independente, por falta de tempo e dinheiro, e dada a urgência do trabalho, eu interpreto São Jorge (desdobrado em Joel Barcelos e Antônio Pitanga) e Di-O Dragão. Mas curiosamente Eu Sou Orfeu Negro (Pitanga) e Marina Montini, dublemente Eurídice (musa de Di), é a Morte. Meus flash-backs são meu espelho e o espelho ocupa a segunda parte do filme, inspirado pelo Reflexos do Baile, de Antônio Callado, e Mayra, de Darcy Ribeiro. Celebrando Di recupero o seu cadáver, e o filme, que não é didático, contribui para perpetuar a mensagem do Grande Pintor e do Grande Pajé Tupan Ará, Babaraúna Ponta-de-Lança Africano, Glória da Raça Brazyleira!
A descoberta poética do final do século será a materialização da Eternidade.”
Quando o blog Ilustrada no Cinema pediu-me uma listinha dos filmes que mais me marcaram para a seção Filmoteca, não tive dúvida em colocar Di ao lado de Cidadão Kane (Citizen Kane, Orson Welles, 1941), Gritos e Sussurros (Viskningar och Rop, Ingmar Bergman, 1972), O Estado das Coisas (Der Stand der Dinge, Wim Wenders, 1982) e Limite (Mário Peixoto, 1930).
Di continua vibrante, comprove (está em duas partes):

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